Dicas para a defesa da tese

Neste post trago-vos 5 dicas para a defesa da tese (muitas delas aplicam-se também a outras apresentações importantes). Se ainda estás na fase da escrita, vê este post. É uma das últimas etapas antes de terminar o curso (mestrado ou doutoramento) e para muitas pessoas é uma razão de grande stress. Isto apesar de ser um trabalho que normalmente escolhemos porque nos interessava. O primeiro ponto importante é perceberem que vocês são provavelmente a pessoa que sabe mais sobre aquele trabalho (muitas vezes até sabem mais que os vossos orientadores, se eles não se tiverem envolvido muito no processo). Por isso vão com calma e com confiança e tudo vai correr bem.

Normalmente a defesa é pública (o que significa que qualquer pessoa pode assistir), embora possam (não oficialmente) pedir às pessoas para não assistarem (sendo que elas podem sempre ficar, porque lá está é um ato público).

À hora marcada, o presidente do júri abre a defesa e diz-vos quanto tempo vão ter para a apresentar o vosso trabalho. Antes de iniciarem a apresentação propriamente dita têm que agradecer a presença do júri (este momento pode ser mais ou menos formal dependendo das faculdades. Depois segue-se um período em que os vários elementos do júri vos fazem perguntas e vocês vão respondendo.

Penso que pode variar um pouco consoante as universidades, mas no meu caso tive 15 minutos para apresentar a minha tese e 45 minutos de perguntas. Lembro-me de pensar que era imenso tempo e que ia estar exausta, mas estava tão focada a discutir o meu trabalho que sinceramente o tempo voou. Uma parte importante foi a preparação para “o grande dia” nas semanas antes. Deixo-vos aqui algumas dicas que usei para me preparar para a apresentação e para a defesa.

Dica #1 – Reúne toda a informação que conseguires

Reúne toda a informação prática que conseguires como a duração da apresentação e da discussão, quanto tempo existe para perguntas, quanto tempo tens para responder, etc.

Também é importante reunires informação sobre as pessoas que vão estar presentes. À partida já conheces o teu orientador, depois existe também o presidente da mesa e o arguente* (que é suposto ser o que faz as perguntas mais chatas). Quando sair o edital da defesa e se não conheceres, tenta saber quem são e que tipo de perguntas costumam fazer. Estas informações vão ajudar-te a preparares-te melhor.

* isto numa defesa de mestrado, numa defesa de doutoramento o júri tem mais elementos.

Dica#2 – Assiste a outras defesas

Esta podia ser a primeira dica porque isto é algo que podes fazer desde que entras na faculdade. Tenta saber onde são anunciadas as defesas e aparece. As defesas são públicas por isso em teoria qualquer pessoa pode entrar. Na prática, há pessoas que estão bastante nervosas e pedem para ninguém entrar, por isso se conheceres as pessoas, é de bom tom perguntar. Se não conheceres e achares que a pessoa está desconfortável, pergunta, mas há muita gente que não se importa.

Dica #3 – Prepara a defesa da tese

Por defesa, neste ponto, quero dizer a parte das perguntas.

Dicas para a defesa da tese de mestrado

As perguntas eram precisamente o meu maior medo na defesa da tese. Aconteceu-me nas apresentações de trabalhos no mestrado os professores fazerem perguntas a que eu não fazia ideia do que responderia. O mesmo em algumas teses que assisti, se fosse eu naquele lugar nem saberia o que responder. Pura e simplesmente há pessoas que têm uma forma de formular as perguntas que não facilitam a resposta. Por isso, primeira coisa que me treinei a dizer foi “não percebi, pode voltar a repetir a pergunta/ pode explicar melhor” – partindo do princípio que o objectivo de quem lá está é discutir o trabalho e não “lixar-nos”. Na realidade não precisei de usar esta frase, mas foi bom tê-la preparada caso fosse necessária.

Quando comecei a preparar a defesa esta fase eu imprimi a minha tese em versão económica (em preto e branco, frente e verso, sem aquelas capas especiais). Depois peguei em marcadores e post-its e tentei lembrar-me de tudo o que poderiam perguntar, as coisas que poderiam gerar discussão (porque existem diferentes métodos de fazer, ou porque não fiz da forma mais convencional) e coisas que puderiam ser interessantes.

Depois fui a todos os documentos onde recebi comentários do meu orientador, professores e colegas e marquei todas as questões que não tinham sido resolvidas. Por fim, tentei preparar-me para aquelas questões. Algumas escrevi num caderno outras tentei só pensar no que responderia se me perguntassem aquilo.

Como é óbvio as perguntas não foram exactamente aquilo que eu lá tinha, algumas foram mais fáceis, outras mais difíceis, mas este exercício ajudou-me a treinar a pensar criticamente sobre o meu trabalho e tentar responder a questões.

Dica #4 – Pratica a apresentação

Pessoalmente, sou mais dada ao Freestyle. Na maior parte das apresentações da faculdade treinava uma ou duas vezes, sabia o que tinha de dizer e depois no momento pura e simplesmente explicava a minha parte (o que algumas vezes levava a que me demorasse mais um pouco, mas sinceramente acho que fica muito melhor).

Mas, a defesa não é o momento em que vão querer improvisar: têm que resumir imensa informação em pouquíssimo tempo, têm um tempo certo e aquela nota tem um peso enorme na vossa média. Portanto sugiro que façam os slides com tempo para tentarem mostrar a outras pessoas e terem feedback. E que treinem várias vezes: sozinhos, com o vosso orientador, com colegas, com os vossos pais, com a vossa avó, o que quiserem. Mas treinem. De tal forma que apesar de seguirem mais ou menos um guião, a apresentação pareça natural.

Sobre os slides: devem ser apelativos, mas que tenham toda a informação necessária. Os slides devem ajudar-vos a vocês, ao júri e a quem está a assistir a compreender melhor o vosso trabalho, não devem ser distratores (ou porque têm um excesso de enfeites, nem porque têm demasiado texto e as pessoas lêem em vez de vos ouvirem). Tenham lá (por pontos) todos os tópicos de que têm de falar para não se esquecerem de nada.

Na apresentação, não caiam na tentação de quererem falar de tudo. Em psicologia, normalmente passamos um ano a trabalhar na nossa tese. Quando chegamos ao fim queremos falar de tudo o que fizemos, tudo o que lemos e tudo o que achamos interessante nos nossos dados. Mas é importante terem a noção do tempo que têm e focarem-se apenas nos pontos mais importantes (de preferência foquem-se nos pontos que vão ser avaliados).

Dica #5 – Aproveita o dia

No dia o mais importante é terem confiança no vosso trabalho e estarem calmos. Cheguem com tempo (pelo menos meia hora antes para entrarem na sala, prepararem os slides, ir à casa de banho, etc). Durmam bem na noite anterior e tragam tudo o que precisarem (garrafinha de água, caneta e caderno para anotar as perguntas, a tese impressa e outras coisas que precisem).

E depois não se esqueçam de aproveitar o dia. Para a maior parte das pessoas a defesa é o dia em que terminam um curso, um dia em que têm várias pessoas de quem gostam com elas. É um marco importante, onde vão ter oportunidade de falar sobre o trabalho ao qual tanto se dedicaram no último ano, por isso aproveitem e divirtam-se.

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Se tiveres alguma dúvida sobre a defesa da tese à qual não tenha respondido deixa nos comentários.

Já agora se quiserem ler a minha tese podem fazê-lo aqui.

6 thoughts to “Dicas para a defesa da tese de mestrado

  • Alexandre Coimbra

    Muito obrigado.

    Excelentes dicas!

    Responder
    • Mafalda

      Espero que a defesa tenha corrido bem 😉

      Responder
  • Maria

    Boas dicas. Vou usa-las! A minha Defesa é amanhã. Espero que corra bem.

    Responder
    • Mafalda

      Olá Maria! Espero que tenha corrido tudo bem. 😉 muito sucesso

      Responder
  • Maria Teixeira

    Olá Mafalda!
    Quanto aos agradecimentos ao júri (no meu caso será composto pelo orientador, arguente e presidente do júri), não sei por qual começar por receio de iniciar o agradecimento pelo orientador e os restantes “levarem a mal” ou vice-versa. O que aconselha?

    Responder
    • Mafalda

      O melhor será confirmares com o teu orientador ou ires ver algumas teses e veres como fazem. Eu na altura comecei pelo arguente (que era a pessoa que nada tinha a ver com o projeto e gastou o seu tempo a ler a minha tese), depois a presidente do júri (que era co-orientadora) e depois o orientador. Mas se não for o caso, talvez também possas começar por agradecer a presença do júri. É uma boa coisa para experimentar fazer no treino.

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