cv academico

Querem seguir uma carreira no mundo da investigação? Acham que devem enviar o mesmo currículo que enviam para qualquer trabalho? Se sim, têm mesmo de ler este post. Hoje venho falar-vos de algo que há um tempo eu também desconhecia: os currículos académicos. Se não sabem qual a diferença entre um CV académico e um CV profissional, continuem a ler.

Diferença entre um CV académico e um CV profissional

Então vamos começar pelo mais simples, qual a diferença entre um cv académico e um cv profissionall?

Um CV profissional foca-se sobretudo na formação, experiência profissional e nas competências da pessoa (mas sobretudo experiência e formação).

Já um CV académico não deixa de ser um CV (e também tem a parte da formação e da experiência, focando-se mais na experiência de investigação), mas tem algumas componentes que só têm interesse (e na realidade só fazem sentido) para quem está na academia, como publicações, apresentações, organização de eventos científicos, etc.

Que partes constituem o CV académico?

Por ordem das que normalmente são consideradas mais importantes, pelo menos em Portugal:

  • Formação – dependendo do tipo de candidatura pode fazer sentido incluirem a vossa média. Como a maior parte dos concursos públicos (e nos da FCT) a média é um factor de avaliação é aconselhável inclui-la.
  • publicações (teses, artigos) – devem aparecer em formato de citação e no caso dos artigos devem idealmente incluir o DOI (o identificador digital da vossa publicação). Para além disso, para os artigos devem indicar (caso não esteja ainda publicado), se o artigo foi apenas submetido, se está em revisão, se foi aceite, ou se está no prelo.
  • experiência de investigação – idealmente indicam nesta secção as vossas experiências em que tiveram contratos de bolsa ou contratos de trabalho. Tal como nos CVs normais, se não têm experiência em funções pagas, ponham o que tiverem. É melhor ter um estágio não renumerado (especialmente se for numa área de investigação semelhante à que se estão a candidatar) do que não ter nada. Para além de indicarem o nome da função indiquem de forma clara as tarefas que realizaram, as técnicas e metodologias que aprenderam e/ou utilizaram.

  • apresentações (posters, comunicações orais, apresentações por convite) – estas também devem estar em formato de citação e devem incluir o nome da conferência/simpósio/congresso. Como normalmente existem vários autores, coloquem o vosso nome a negrito, para facilitar a leitura (especialmente se não forem o primeiro autor).
  • organização de eventos científicos – se já fizeram parte da comissão de organização de algum evento científico também o podem indicar aqui.
  • competências de investigação – preferencialmente indiquem aquelas em que têm formação e/ou experiência – ex: softwares estatísticos que sabem usar, metodologias estatísticas e de investigação em que têm experiência e/ou formaçao, procedimentos que sabem realizar, ou softwares para montar experiências.

Mais alguma diferença para um CV normal?

Sempre fiz o meu cv “normal” de uma forma mais visual, é mais apelativo e isso acaba por chamar mais a atenção quando somos um no meio de muitos. Para a maior parte das posições de investigação (pelo menos em Portugal), entra-se por concurso público ou algo equiparado, o que significa que todos os currículos terão que ser analisados e por isso é mesmo importnte que toda a informação relevante esteja lá de forma clara e inequívoca. Como resultado disto, o meu CV académico tem-se vindo a tornar mais textual, embora mantenha um design agradável (pelo menos na minha opinião).

 

Outro aspecto importante, quer para um CV académico quer para um CV “normal” é adequar o CV à posição a que estamos a concorrer. Claro que se todas as posições a que estamos a concorrer são muito parecidas isso não é uma necessidade. Porém, se estão a candidatar por exemplo para um projecto específico (como acontece nas bolsas de assistente de investigação) é importante que adaptem o vosso CV de forma a destacar a experiência/formação que têm relacionada com o projeto e a garantirem que no vosso CV está tudo o que é pedido no anúncio (quer os requisitos obrigatórios, quer os preferenciais, se vocês os tiverem claro).

Em geral, para candidaturas espontâneas faz sentido um CV mais geral e mais visual, porque o nosso objetivo é que o nosso CV se destaque. Quando nos candidatamos a um anúncio, queremos demonstrar que somos a pessoa que estão à procura. Nesse caso, não é necessário fazer um CV completamente diferente, mas adaptá-lo é uma boa ideia.

E vocês já têm o vosso CV académico? Conheciam a diferença entre um CV académico e um CV profissional. Não se esqueçam que, mesmo na academia, continua a ser importante estarem em redes sociais profissionais como o LinkedIn (mais geral) ou o Research Gate (mais específico para investigadores). Em Portugal, temos agora o Ciência Vitae, que vem substituir o deGóis (que deixou de estar ativo) e o FCT-sig.

Deixo aqui o meu CV se quiserem ver.

Se tiverem alguma dúvida, deixem nos comentários. Se quiserem podem enviar os vossos CVs para mafalda@mindresearcherdiary.com e tento dar-vos algum feedback.

Tens algum tema/assunto que gostavas de ver abordado. Deixa a tua sugestão aqui!

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