Dicas para a candidatura às bolsas de doutoramento da FCT

Hoje trago-vos um artigo sobre as candidaturas às bolsas de doutoramento da FCT, que estão neste momento a decorrer. Tens até dia 28 de Março para te candidatares!

O ano passado candidatei-me pela primeira vez, mas infelizmente não consegui a bolsa e este ano vou candidatar-me outra vez. Para quem está a candidatar-se pela primeira vez pode ser tudo um pouco confuso e por isso resolvi fazer um post a explicar um pouco mais este processo. É um processo um pouco burocrático e cheio de regras que se não forem cumpridas podem levar óptimas candidaturas ao fracasso. Por isso é importante ler tudo com atenção, fazer tudo direitinho e esperar por um pouco de sorte (que nestas coisas nunca é de mais).

NOTA: Esta informação não dispensa e não substitui a consulta da informação sobre o concurso de bolsas de doutoramento da FCT que podem consultar aqui.

O que é?

São bolsas de investigação/estudo para alunos que querem fazer o doutoramento em Portugal e/ou no estrangeiro. Têm uma duração máxima de 48 meses (ou 4 anos) em que os alunos recebem uma bolsa mensal de manutenção (no valor de 1003,26 em 2018, valores atualizados aqui). Para além disso, durante a duração da bolsa, a FCT também paga as propinas à vossa faculdade (até um máximo de 2750 euros em Portugal e 8000 euros no estrangeiro) e ainda existem alguns apoios se pretenderem passar um período até 6 meses fora.

Para quem?

Pessoas que nunca beneficiaram de uma bolsa de doutoramento financiada pela FCT. Para além disso têm que ser cidadãos portugueses ou de outro estado membro da União Europeia, OU residentes em Portugal OU cidadãos de um país com o qual existem acordos de reciprocidade.

Tipos de bolsas de Doutoramento da FCT

Existem 3 tipos de bolsas:

  • nacionais – o vosso trabalho decorre em Portugal e podem estar até 6 meses fora.
  • mistas – Para quem quer continuar baseado em Portugal, mas quer poder passar um período até 2 anos fora.
  • no estrangeiro – bolsa exclusivamente no estrangeiro.

Se te quiseres candidatar a uma bolsa mista ou nacional tens que residir em Portugal de forma habitual e permanente (se fores aceite, vais ter que apresentar um comprovativo).

Quando?

Em 2019, o período de candidatura às bolsas de doutoramento da FCT é de 28 de Fevereiro a 28 de Março. Atrasos não são permitidos e tens que submeter a tua candidatura até dia 28 de Março às 17h. Na realidade deves submetê-la umas horas (preferencialmente uns dias antes), porque se tiveres problemas técnicos e não lacrares a candidatura até às 17h, a tua candidatura não será aceite. Mais, a FCT só se compromete a responder a emails que sejam enviados até 3 dias úteis antes do término, leia-se até segunda-feira, mas o melhor é tratares de tudo o quanto antes porque lá está se há hora não tiveres submetido/lacrado a candidatura ficas de fora.

Depois de submeteres a tua candidatura prepara-te para esperar. A FCT tem 90 fias úteis para dar a conhecer os resultados e normalmente demoram esse tempo. O ano passado conhecemos os resultados a 6 de Agosto que era precisamente o último dia. Este ano pelas minhas contas têm até 7 de Agosto. Já aconteceu ultrapassarem os prazos, portanto o melhor é estares mesmo preparado para tudo.

Se receberes uma bolsa, tens que iniciar entre 1 de Setembro de 2019 e 1 de Agosto de 2019. Uma vez que vais assinar um contrato de exclusividade (com muito poucas excepções) é importante que tenhas em conta que a partir do momento em que iniciar a bolsa não poderás trabalhar. Aconselho a irem poupando até lá.

Documentos que deves consultar antes de te candidatares

É importante leres toda a informação que é disponibilizada nomeadamente o guião de candidatura, o guião de avaliação e os regulamentos da bolsa de doutoramento. Toda a informação que precisas está lá por isso só ganhas em ler tudo.

O primeiro passo da candidatura é precisamente leres tudo e anotares tudo o que já tens, tudo o que te falta e tudo o que não te podes esquecer (como por exemplo, referir em que objectivos da agenda 2030 se enquadra o teu projecto).

Este não é necessariamente o melhor lugar para se inventar muito ou ser muito criativo. Segue as orientações do teu orientador – que provavelmente já terá experiência a concorrer a estes concursos – e segue à risca as recomendações que são dadas nos documentos. Depois de enviares/lacrares a candidatura não podes alterar NADA.

Como funciona a avaliação

Ainda nem submeteste a candidatura e já te estou a falar da avaliação? Sim, quando estiveres a preencher a candidatura deves perceber o que será tido em conta na avaliação.

Recomendo que leias o guião de avaliação onde está tudo explicado. De forma resumida, existe um painel de avaliação da tua área (por exemplo, sociologia, psicologia, etc) que irá analisar a tua candidatura e atribuir-lhe uma cotação de 0 a 5. Essa cotação tem em conta as notas que tiveste na licenciatura e/ou mestrado, as tuas publicações e experiência de investigação, a tua carta de motivação, o teu projecto, as condições da instituição de acolhimento- o(s) sítio(s) onde vais fazer o teu doutoramento – e o(s) teu(s) orientador(es).

Em diferentes áreas esperam-se coisas ligeiramente diferentes por isso o ideal é perguntares a outros colegas que tenham concorrido ao mesmo painel e/ou aos teus orientadores.

O processo

Concurso Bolsas de doutoramento da FCT

  1. Criar uma conta no FCT-sig (ou fazerem login se já tiverem)
  2. Ir ao https://concursos.fct.pt/ clicam em Concurso para Atribuição de Bolsas de Doutoramento 2019 e depois em registar candidatura. Depois têm que definir a área científica da candidatura e se querem uma bolsa nacional, mista ou no estrangeiro (ver acima)
  3. Paralelamente têm que ou atualizar o vosso currículo no FCT-sig ou criar o currículo no ciência vitae (que vem substituir o De Góis e o FCT-sig e que vai ser a próxima plataforma de currículos
  4. Depois têm um painel em que devem ir preenchendo os vossos dados, dos vossos orientadores, o projecto, a carta de motivação, as cartas de recomendação (duas), etc. Podem fazer a candidatura em português ou inglês. Pessoalmente prefiro fazer tudo em Inglês porque se houver pessoas que não falem português no painel de avaliação facilitam-lhes a vida. Para além disso, a ciência faz-se em inglês e facilita muito terem tudo em inglês (por exemplo, podem enviar o vosso projecto para possíveis orientadores estrangeiros, etc)
  5. Devem ir gravando conforme vão preenchendo a informação, mas só podem lacrar no FIM. Lacrar é o vocabulário da FCT para submeter a candidatura. Depois de a candidatura ser lacrada não podem ser feitas mais alterações por isso verifiquem que está lá toda a informação e que está tudo correcto antes de lacrarem.

Documentos que têm que preparar/submeter para a candidatura às bolsas de Doutoramento da FCT

  • Certificado da licenciatura/mestrado/mestrado integrado ou dos vossos títulos académicos. Se não submeterem não recebem os pontos do critério A1 percurso académico (que basicamente vos atribui uma nota dependendo do vosso título académico e da nota que tiveram nesse curso).
  • Documento mais representativo do vosso percurso académico – normalmente um artigo ou a tese. Têm que explicar o porquê de terem escolhido esse documento na carta de motivação (é um dos critérios de avaliação por isso não se esqueçam).
  • Carta de motivação – que este ano vale 10% da nota. Devem explicar porque é que se estão a candidatar e porque é que acham que são bons candidatos. Para além disso, devem explicar a vossa escolha do documento mais representativo do vosso percurso. Os critérios de avaliação são: “clareza com que o candidato identifica os motivos subjacentes à sua candidatura”, “a maturidade com que encara a realização do trabalho de investigação proposto e a obtenção do grau académico de doutoramento” e “a escolha que faz do documento que considera representativo ou explicativo do seu percurso”, conforme descrito no guião de avaliação. Por isso escrevam o que quiserem (sem exagerar) mas não se esqueçam de abordar estes pontos.
  • Cartas de recomendação – Acho que há uma grande tendência para as pessoas quererem cartas de recomendação muito XPTOs. Pessoalmente, quer para as cartas de recomendação como para os orientadores, acho importante pedirem-no a professores que vos conheçam bem e com quem tenham uma boa relação, de preferência pessoas com quem tenham feito investigação (por exemplo, a tese de mestrado). Este ano as cartas de recomendação têm obrigatoriamente que fazer referência a este concurso.
  • CV – neste caso esqueçam o CV bonito que têm – vão ter que submeter tudo na plataforma do fct-sig ou do ciência vitae (aconselho este último porque a partir de agora será o utilizado e se planeiam continuar a fazer ciência em Portugal eventualmente terão que o fazer).
  • Projecto – é algo em que devem começar a trabalhar o mais cedo possível. Assim que souberem quem será o vosso orientador e qual o vosso tema/questão de investigação comecem a pesquisar, a ler, a pensar e mais importante que tudo a escrever (embora sejam coisas diferentes acho que estas dicas para escrever a tese também vos podem ajudar). O projecto deve incluir:
    • Título
    • Sumário ou abstract
    • Estado da Arte – i.e. uma mini revisão da literatura relevante para o vosso projecto com um máximo de 500 palavras 
    • Objectivos
    • Descrição detalhada – aqui é onde explicitam tudo o que querem fazer, como pensam fazer, como vão analisar os dados, que publicações ou disseminações estão a pensar fazer, quais as questões éticas que o projeto levanta, etc. Infelizmente, têm apenas 1000 palavras para descrever o que planeiam fazer durante 4 anos por isso têm que encontrar um balanço entre serem sucintos e dizerem tudo o que é preciso.
    • Podem usar até 30 referências por isso não se entusiasmem, mas também não façam como eu que na candidatura do ano passado tinha menos de 15.
    • Adequação das condições de acolhimento/orientação e períodos de permanência no estrangeiro (para bolsas mistas ou no estrangeiro).
    • Têm também que indicar de que forma o vosso projecto contribui para os objectivos da agenda 2030 da ONU (se contribuir para algum, mas como este é um critério de avaliação tentem encontrar essa ligação) – podem ver quais são aqui.
    • Opcionalmente podem adicionar uma cronograma do vosso projecto. Podem fazer em excel e depois exportar para PDF. Basicamente é uma maneira de mostrarem que o vosso projecto é realista do ponto de vista do tempo que têm e que têm uma ideia naquilo que se estão a meter.

É muita informação, mas acho que falei dos aspectos mais importantes para a vossa candidatura às bolsas de doutoramento da FCT (ficaram muitos outros para falar, mas fica para outros posts). Se tiverem mais alguma dúvida sobre as bolsas de doutoramento da FCT ou se já se candidaram e têm outras dicas, deixem nos comentários!

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One thought to “Como fazer a candidatura às bolsas de doutoramento da FCT”

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