Neste post vou partilhar convosco 5 dicas para escrever a tese. Claro que isto também se aplica para a escrita de artigos, capítulos ou textos em geral onde temos que explicar o nosso trabalho científico. É verdade que este é um processo que tende a parecer assustador e por isso vamos adiando e adiando até que por vezes é tarde demais e vamos saltando de prazo em prazo, até que muitas teses ficam na gaveta. O que é uma pena para quem não atinge um determinado grau académico e um desperdício de investigação que foi feita e nunca vê a luz do mundo.

5 dicas para escrever a tese

escrever a tese

O mantra que tens que decorar: Tese feita é melhor que tese perfeita

O grande mantra das teses é que tese feita é melhor que tese perfeita e acho que isso é algo que devem manter em mente ao longo de todo o processo de trabalhar numa tese, desde o momento em que têm a vossa ideia de investigação até à defesa. Vai haver sempre espaço para melhoria, para fazer mais ou diferente. Vai haver sempre espaço para escrever melhor, fazer melhor investigação ou defenderem melhor o vosso trabalho. E isso são aprendizagens que podem levar para a próxima etapa das vossas vidas. As teses são necessárias para obter graus académicos (sobretudo mestrados e doutoramentos), mas fazem também parte de programas de formação (os ditos mestrados e doutoramentos). Se fossemos perfeitos e soubéssemos fazer tudo bem, não estaríamos a estudar, não é?

a ideia da tese é como que narrar essa aventura que passaram durante um ano a tentarem criar conhecimento (para muitos pela primeira vez na vida)

A meu ver, as teses de mestrado, pelo menos, têm o objetivo de iniciar os alunos no mundo da investigação. Assim, a ideia da tese é como que narrar essa aventura que passaram durante um ano a tentarem criar conhecimento (para muitos pela primeira vez na vida). Os professores querem sobretudo perceber se fomos realmente  nós que fizemos aquele trabalho, o que fizemos e porque fizemos assim. Pensar assim, ajudou-me a estar muito mais tranquila ao longo de todo este processo.

E agora chega de considerações generalistas sobre a tese, vou partilhar convosco as 5 dicas para escrever a tese.

1. Começar (cedo)

A primeira destas dicas para escrever a tese é começarem e começarem cedo. Como em tudo na vida, temos sempre aquela tendência de pensar sobre o assunto, mas nunca começar realmente a fazer. E a verdade é que conseguimo-nos enganar durante  um tempo inacreditavelmente longo que ao pensarmos na tese e em escrevê-la, estamos de certa forma a escrevê-la. Mas não se enganem, enquanto não abrirem o word (ou outro processador de texto) e começarem a encher as folhas de palavrinhas isso não está a acontecer.

Assim, o meu conselho é que comecem o mais cedo possível. Se forem escrevendo tudo à medida que vão fazendo, isso vai-vos poupar imenso tempo e vai-vos ajudar mesmo muito. Por exemplo, quando andam a ler artigos, podem logo começar a tirar notas do que querem usar e criar um word  com frases soltas (eu normalmente crio um excel, onde vou tirando a informação que me interessa dos artigos e o que quero usar). Pode parecer que isso não serve para nada, mas por um lado começam a ver coisas escritas o que ajuda a atenuar o “medo da página em branco”. Por outro lado, quando quiserem organizar as ideias já lá está tudo escrito, é só organizarem e ligarem o texto, já não têm que ir ler tudo outra vez ou tentarem lembrar-se que artigos é que eram interessantes.

2. Não esperem pela inspiração

A minha segunda dica é sobre a inspiração. Isto é um tema muito recorrente na escrita. Pessoalmente, sempre gostei de ler sobre dicas para escrever e sempre achei curioso como é que surge a inspiração. Quando vão escrever a vossa tese à partida o conteúdo já o têm (a investigação que vão fazer/fizeram) e só “têm que escrever”.

Ainda assim, muita gente espera por aquele dia maravilhoso em que a inspiração virá e a tese fluirá de uma só assentada. O dia em que vai ser fácil escrever a tese. Infelizmente, para a maior parte das pessoas esse dia nunca chega. Como a minha professora de português costumava dizer (provavavelmente não é a única): “começa a escrever que a inspiração vem”. E é isso. Na dica anterior já acabei por vos dar algumas ideias para começarem a colocar palavras no papel. Mas também podem, por exemplo, organizar as partes do texto por pontos, ir dividindo esses pontos em subpontos cada vez mais pequenos, até ao ponto em que cada ponto é basicamente um parágrafo (não precisam de ser tão minunciosos). Depois é irem escrevendo sobre cada um desses pontos e tentarem escrever um bocadinho todos os dias. Mesmo que vos pareça que o que estão a escrever não faz sentido ou que não está muito bem escrito, não se preocupem vão escrevendo, o importante nesta fase é conseguir ter o máximo de palavras e ideias no papel.

3. Começar pelo método

Esta dica foi partilhada comigo por uma das minhas Professoras na faculdade: começar pelo método. É uma das melhores dicas para escrever a tese que conheço. Esta parte não têm muito floreado e é basicamente uma descrição do que vocês fizeram passo por passo. Têm de descrever os materiais que usaram, o procedimento – uma espécie de script do que fizeram – e quem foram as pessoas que participaram no vosso estudo.

Eu fiz isto quando estava a escrever a minha tese e concordo que esta é a parte mais fácil de escrever e terminar. Claro que, entretanto, já convém ter pelo menos ideias e partes da introdução, mas essa secção demora sempre mais e vai mais ao ritmo do que vamos lendo. O método pelo contrário é algo que devem escrever até antes de recolherem os dados, para saberem o que vão fazer e depois é só editar com as alterações que fizeram e com as informações da recolha em si (como os dados dos participantes e datas). Quando terminarem já vão ter umas quantas páginas escritas e um capítulo terminado e isso vai dar-vos muito mais motivação para continuar.

4. Acabar de escrever muito tempo antes da data de entrega

Acabar com muito tempo de sobra para revisões – este é outro ponto importante, mas que é normalmente ignorado. O prazo de entrega da tua faculdade é dia 3 de Julho, tens que ter a tese pronta dia 2? Não. Podes ter a tese pronta só dia 2? Não. E porquê? Porque não chega escrever. Depois de escrever é preciso editares. E quando já tiveres um draft quase final tens que o enviar para o teu orientador(es). Eles vão-te dar feedback e pedir algumas (ou muitas) alteraçõees e portanto tens que contar com tempo para isso.

Eu diria que ter um draft já bastante finalizado cerca de um mês antes é uma boa ideia para uma tese de mestrado (ou mesmo mais cedo). É boa ideia irem enviando capítulos que vão terminando com mais tempo e irem discutindo com os vossos orientadores dúvidas que vão surgindo. Mas há coisas que os orientadores só se podem comentar/editar quando há uma versão com tudo do início ao fim e é importante que a entrenguem com tempo porque normalmente os orientadores são pessoas ocupadas que não vos vão responder num dia.

Chamei-lhe draft final não porque deve estar mal editado ou incompleto, pelo contrário deve ser uma versão o mais próxima do final possível e que já tem tudo o que querem incluir. No entanto, compreendam que nesta fase é possível que ainda tenham que fazer bastantes alterações (daí quanto mais tempo tiverem melhor). Sinceramente, acho que esta foi a fase onde aprendi mais. É um pouco stressante e até desmotivante receber o feedback não muito positivo (até porque normalmente estão assinalados os erros, não os pontos positivos). Mas é aqui que, ao contrário de todos os trabalhos da faculdade em que não recebemos nenhum feedback, conseguimos perceber o que fizemos bem e o que fizemos mal e como é que podemos fazer diferente. Embora saiba que não sou a melhor integradora de críticas, tornei-me uma pessoa que adora quando os textos andam para trás e para a frente, porque acho que é aí que um texto medíocre tem o potencial de se tornar num texto bom. É na edição que está a magia. Por isso é bom terem escrito a mais (para se poder cortar) e estarem preparados para escrever ainda mais, pesquisar mais artigos e fazer mais umas análises dos dados.

5. Ler muito

A minha última dica, mas  que devia ser a primeira é: ler muito.

Talvez seja a última porque ando sempre com a carroça à frente dos bois e este raramente é o meu primeiro passo. Leio umas coisas no computador, não tiro notas e passo ao próximo passo. Lembro-me quando estava a escrever a minha tese de não conseguir avançar e não percebia porquê. Até que percebi que não podia escrever mais enquanto não lesse. Se fores como eu, esta pode ser uma das mais importantes dicas para escrever a tese

Ao contrário de outros estilos de escrita, nos textos académicos é suposto não escrevermos o que achamos ou pensamos, mas o que outros pensam e acham e sobretudo o que outros descobriram. Por isso, se não lermos sobre o que é que já foi feito e o que é que se descobriu ou como é que outros fizeram o que queremos fazer (seja o estudo, seja a análise de dados), não há muito para escrever.

Mais importante que isso, é fundamental lerem bastante no início para perceberem bem onde se estão a meter, o que funcionou ou não e como é que o vosso projecto vai fazer avançar o conhecimento. Claro que, normalmente, ficamos com um projecto que nos é dado pelo orientador e ele já leu muito mais que nós e pode orientar-nos, mas há uma parte tem que ser nossa. Ler para lá das referências que nos dão, ler um bocadinho para lá do que estamos exactamente a estudar (porque muitas vezes há coisas muito parecidas a serem feitas, mas com outro nome) e tentar compreender mesmo bem o que estamos a fazer. Fazer isto no início vai poupar muito tempo nas fases seguintes.

Se estão a fazer as vossas teses ou já fizeram e têm outras dicas para escrever a tese deixem nos comentários. Já agora estou a pensar fazer uma série de posts sobre as teses, digam-me nos comentários o que é que acham desta ideia e se há algum tema/dúvida específica que gostassem que abordasse.

Se és novo por aqui, fica a saber mais sobre este projeto. Também podes seguir-me no twitter e instagram.

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4 thoughts to “5 Dicas para escrever a tese de mestrado

  • Vera Pereira

    Querida Mafalda,
    Encontro-me neste momento a escrever a minha tese de mestrado em fiscalidade e as dicas foram muito boas.
    Realmente por vezes o problema é começar a escrever e o achar que temos muito tempo, mas ele passa a voar. Pois juntar todas as nossas ideias e citações importantes para fundamentar o nosso trabalho leva tempo. Daí a dica para ir tomando esse tipo de notas é muito boa.
    E é verdade o principal é verificarem que realmente o trabalho é nosso e que lhe nos esforçamos para que tivesse o melhor resultado.
    Obrigada,
    Vera

    Responder
    • Mafalda

      Obrigada Vera! Espero que corra bem e que consigas ter a tese terminada em breve! São lutas que continuam mesmo depois de já ter entregue a tese. O importante é ir fazendo e tentar sempre ir avançado alguma parte, nem que seja ir pondo por pontos e ir escrevendo sem pensar muito se é a forma mais correcta. A edição fica para quando já tivermos as ideias importantes todas no papel! Tenho a certeza que vai ser um sucesso 😉

      Responder

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