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Carreira Dicas de investigação

Como funcionam as bolsas de investigação

Como funcionam as bolsas de investigação da FCT?

Quem começa a trabalhar em investigação normalmente recebe uma bolsa de investigação. Em Portugal, essas bolsas são concedidas pela FCT e têm um enquadramento muito próprio. Existem bolsas de licenciado (assistentes de invesitgação que concluiram a licenciatura), mestre (assistentes de investigação que são mestres), bolsas de técnico de laboratório (pessoas, pelo menos licenciadas, que tratam da logística de um laboratório), bolsas de doutoramento (podes ler mais aqui), bolsas de pós-doc (para invesitgadores que já concluíram o doutoramento) e por aí fora.

As bolsas da FCT são as mais comuns em Portugal e neste artigo é sempre dessas bolsas que estou a falar.

Os bolseiros são trabalhadores?

Ter uma bolsa, significa que se é bolseiro. Assina-se um contrato de bolsa e não um contrato de trabalho.

Por isso aplica-se o estatuto dos bolseiros (este) e não o código do trabalho. Os bolseiros acabam por estar num meio termo, em que têm alguns direitos e deveres dos trabalhadores, mas para tantos outros efeitos não são trabalhadores.

Os valores das bolsas de investigação

As bolsas de investigação que são financiadas pela FCT têm valores fixos. Os mestres recebem 989,70, os alunos de doutoramento 1003,26, os pós-doc 1509,80 euros (podes consultar todos os valores aqui). Isto caso estejam a trabalhar em instituições nacionais, quando vão para fora recebem mais (sendo que também têm mais despesas).

Para além disso, as bolsas incluem outras coisas, por exemplo quem tem uma bolsa de doutoramento, também tem as propinas pagas (mas, por exemplo, se tiverem uma bolsa de mestre, mesmo que estejam a fazer a bolsa de doutoramento não vos pagam as propinas).

Direitos

Têm alguns direitos dos trabalhadores (como o direito a ter 21 dias de descanso), licenças de parentalidade, mas não têm direito a tolerâncias de ponto, dias de nojo (quando morre alguém) ou por exemplo licença de casamento (tema querido para mim, este ano).  Algumas destas coisas (como os dias de nojo) ficam à descrição dos orientadores e das instituições, o que pode correr muito bem ou muito mal.

Outra coisa que pode ser importante é que não têm subsídio de férias, nem de Natal. Por isso, contem apenas com os 12 meses de bolsa (se a bolsa for de um ano).

Pelo lado positivo, como não é um trabalho não têm que pagar impostos (por isso também não têm reembolsos de despesas nenhumas, porque não pagam impostos).

Deveres

Normalmente têm que trabalhar 40 horas semanais, mas a forma como isso é feito varia muito consoante as instituições, os orientadores e os projetos.

Há quem tenha um posto de trabalho fixo onde deve estar das 9h às 18h, há quem trabalhe a partir de casa quase todos os dias.

Têm também o regime de exclusividade, isto é, só podem trabalhar para o vosso projeto e nada mais (salvo algumas exceções como dar aulas ou receber lucros de direitos de autor). Isto é um aspecto importante porque significa que a partir do momento que recebem uma bolsa não podem ter outras atividades.

Isto tem implicações importantes, por exemplo, quando recebem uma bolsa de doutoramento, normalmente só começa a ser paga alguns meses depois. Recebem todos os meses em retroativo e a partir do momento que começam a receber começa a ser tudo certinho, mas o problema é que a partir do momento que se inicia o vosso contrato já não podem trabalhar mais ou ter outra atividade, mas também não recebem a bolsa – e isto pode ser complicado para muitas pessoas (se se quiserem meter nesta aventura e não têm ninguém que vos possa ajudar nos primeiros meses, o melhor é começarem a poupar com alguma antecedência para não ficarem numa situação mais apertada).

 

Segurança Social

Por não serem trabalhadores. os bolseiros não têm que e não podem descontar para a segurança social. No entanto, podem ter o seguro social voluntário. A FCT (ou a instituição com os fundos da FCT) reembolsam apenas o escalão mais baixo (correspondente a um rendimento até ao IAS – 435,76, em 2019). Podem optar por descontar mais mas têm que tirar do vosso dinheiro (que embora não seja um ordenado mínimo, também não é assim tanto).

É melhor que nada e pelo menos começam a contar os anos para a reforma (antes de existir esta possibilidade as pessoas podiam passar mais de 10 anos a trabalhar sem fazer descontos nenhuns). Mas é importante saberem que não têm direito a subsídio de desemprego e caso necessitem de um subsídio de doença, parentalidade, etc. os cálculos são feitos como se recebessem 435,76 euros por mês (e não com base no valor da bolsa). O que se traduz em valores bastantes baixos nestes apoios.

Para além disso, o seguro social voluntário não é automático. Têm que pedir os papéis à FCT ou à vossa instituição (dependendo do tipo de bolsa) e depois ir entregar os papéis à Segurança Social. Depois a segurança social vai demorar desde algumas semanas a alguns meses a processar o vosso pedido e por cima disso vai cobrar-vos juros pelo atraso que na realidade é deles (mas podem reclamar por email para vos devolverem o valor). Só depois de pagarem é que são reembolsados por isso parte do princípio que têm essa disponibilidade (um mês não custa muito, mas como normalmente da primeira vez têm que pagar 2/3 meses ou mais, custa bastante).

Vale a pena ser bolseiro?

De forma muito resumida, se gostas de investigação sim, caso contrário não (mas acho que isto se aplica a quase todas as profissões hoje em dia). Tem um rendimento que considero bastante aceitável a partir das bolsas de mestre, considerando que está isento de impostos.

É importante lembrarem-se que independentemente do contrato de bolsa, as bolsas são pagas apenas nos 12 meses, sem subsídio de férias e Natal. Isto pode ser importante para quem está a considerar um trabalho com contrato em que recebe os 14 meses, façam a conta do que recebem x 14 e a bolsa x12 para compararem o rendimento anual, que neste caso será uma comparação mais adequada (ou podem multiplicar o salário por 14 e dividir por 12, para terem a noção ao que é que equivale).

Lembrem-se também que a segurança social é bastante limitada. Recebem uma miséria se tirarem licença de parentalidade e/ou se ficarem doentes, embora quando a bolsa é financiada pela FCT diretamente continuam a receber a bolsa normalmente (como as bolsas dos concursos de doutoramento nacionais). Já para não falar do subsídio de desemprego que não existe para bolseiros. Por isso, não interessa se são bolseiros há 1 mês ou há 10 anos se ficarem sem bolsa, ficam por vossa conta. Acho que isto é outro ponto importante de ponderar porque implica mais poupança a priori.

Por fim, acho que um ponto importante é que muitas vezes a transição entre bolsas pode ser demorada. Por exemplo, na passagem do doutoramento para o pós-doc têm que contar com o tempo para defesa da tese, mais o tempo até sair o título e só depois se podem começar a candidatar, momento em que voltam a ter que esperar que abra concurso/saiam resultados e efetivem o contrato o que pode demorar meses, muitos meses.

Com isto, não quero dizer que é tudo horrível. Acho que realmente tem os prós e contras. E dependendo da instituição em que estão, da vossa equipa e orientadores e de estarem a trabalhar em algo que realmente gostam e vos interessa ou não pode ser mais benéfico para vocês ou não. Neste momento, não trocava esta posição por outra.

Há vantagens e inconvenientes e cada um sabe o que é melhor para si. Acho que é importante estarmos informados, sabermos como as coisas funcionam e tomarmos as nossas decisões.

Se tiveres mais dúvidas sobre as bolsas de investigação, por favor deixa-as nos comentários.

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Psicologia

Como funcionam os testes psicológicos

Como funcionam os testes psicológicos?

Muitas vezes quando ouvimos falar sobre testes psicológicos (deixei o link de um livro que recomendo) , é comum vir-nos à ideia que são questionários e que estes questionários são meras afirmações formuladas de qualquer maneira e sem rigor científico. Mas, os testes psicológicos são muito mais do que questionários. Na realidade, aquilo que vulgarmente chamamos de questionário, em psicologia, designa-se por escala. O objetivo deste artigo será incidirmos sobre os conceitos basilares de como funcionam os testes psicológicos e desmistificar algumas ideias erróneas que possam existir.

1. Diferentes tipos de testes psicológicos

As escalas visam identificar os padrões de resposta de um sujeito, face a um determinado constructo. A isto chamamos testes de resposta típica.

Para além das escalas, existem ainda testes psicológicos que se baseiam na realização de tarefas e/ou escolha da resposta correta entre várias erradas. A isto chamamos testes de máximo rendimento ou performance.

testes psicologicos de maximo rendimento

2. Construção de um teste psicológico

Na construção de um teste psicológico, existem certos critérios que devem ser satisfeitos para termos um teste que meça o que é pretendido de forma o mais precisa possível (sobre estes critérios falaremos noutro artigo, por ser matéria essencialmente estatística). Por agora e no âmbito deste artigo, quero apenas salientar que um teste psicológico deve ser sensível, válido e fiável e vou explicar-vos o que é cada uma destas coisas.

2.1. Sensibilidade

Quando falamos na sensibilidade de um teste psicológico, estamos a falar da capacidade que este teste tem de discriminar diferentes desempenhos /padrões de resposta, de diferentes sujeitos relativamente ao mesmo atributo que está a ser medido. Imaginem, por exemplo, que pretendo medir o grau de depressão no grupo de pessoas que lêem este blog. Passo uma escala que mede este constructo (i.e., o grau de depressão) a todos os leitores. Para esta escala ser sensível é preciso que pessoas que têm graus de depressão diferentes tenham resultados diferentes, ou seja, que estes resultados sejam sensíveis à variabilidade intrapessoal.

2.2. Validade

Quanto à validade, existem diversos tipos de validade, imaginem vocês que existem cerca de 30 tipos de validade (pelo menos do meu conhecimento). No fundo, a validade pretende responder à seguinte questão: quão exato é o teste psicológico a medir o atributo pretendido?

Existem vários tipos de validade, aqui vamos apenas falar das mais relevantes, são elas a validade de construto, convergente, discriminante e relativa ao critério (esta última subdivide-se em concorrente e preditiva).

Validade de Construto

A principal é a validade de construto. Esta validade diz respeito ao grau de evidência científica que nos permite afirmar se o teste mede o atributo ou qualidade que é suposto medir e que até o teste ser construído, esse atributo ou qualidade, não estava operacionalmente definido. Vou tentar trocar isto por miúdos recorrendo a um exemplo da medicina. Imaginem que queremos estudar os pulmões (atributo), podemos fazê-lo atrás de um Raio-X (teste operacionalmente definido). Ou seja, para estudarmos um dado atributo ou qualidade temos de ter uma forma de o fazer. Quando queremos estudar um atributo ou qualidade psicológica, como por exemplo a depressão, temos de ter um instrumento que nos permita estudá-la, e é aqui que se encontra a validade de constructo.

Validade convergente

No caso da validade convergente procuramos perceber se certas variáveis que se espera que estejam associadas, estão efetivamente associadas. Voltando ao exemplo da escala da depressão, é teoricamente esperado que a depressão e a ideação suicida mostrem um certo grau de associação entre si. Assim, para avaliar a validade convergente de uma escala da depressão poderia verificar se os scores nessa escala estão associados aos scores numa escala de ideação suicida.

validade dos testes psicologicos

Validade discriminante

A validade discriminante (que muitas vezes é confundida ou mal nomeada de divergente) refere-se à correlação idealmente nula que certas variáveis têm de apresentar, correlação esta que não é esperada teoricamente (por exemplo, a depressão e os interesses académicos).

Validade relativa ao critério

A validade relativa ao critério diz respeito ao estabelecimento de uma relação entre o que o teste psicológico mede e um critério, dividindo-se em duas formas: a) concorrente e b) preditiva. Para melhor esclarecer ambos os conceitos, imaginem, por exemplo, o seguinte: queremos saber se uma pessoa com um certo grau de depressão tem um certo grau de probabilidade para se suicidar (critério). Se aplicarmos uma escala de depressão e de seguida perguntarmos o número de vezes que se tentou suicidar, estamos a estudar a validade relativa ao critério concorrente. Se aplicarmos a escala de depressão e esperarmos 6 meses e após este tempo perguntarmos aos mesmos sujeitos o número de vezes que se tentaram suicidar, falamos em validade relativa ao critério preditiva. De um ponto de vista prático e com base nos resultados podemos estimar que uma pessoa com um determinado resultado no teste de ideação suicida pode ter uma probabilidade de fazer X número de tentativas de suicídio nos 6 meses seguintes.

Ou seja, o que difere num caso e noutro é sobretudo o momento temporal da recolha dos dados. No primeiro caso quer os resultados do teste quer do critério são ambos recolhidos no mesmo momento, no segundo, os resultados do teste são recolhidos num momento e o critério num momento posterior. Imaginem que utilizamos um teste psicológico para medir o grau de depressão, aplicamos este teste a um grupo de pessoas e 6 meses mais tarde a estas mesmas pessoas perguntamos o número de tentativas de suicídio.

2.3. Fiabilidade

A fiabilidade é o grau de precisão do teste psicológico, durante o processo de medição. A fiabilidade, essencialmente, subdivide-se em: consistência interna e estabilidade temporal.

Consistência interna

No primeiro caso, a consistência interna diz respeito ao quão consistentes são as respostas aos itens (as afirmações que habitualmente vemos num teste psicológico), dadas por quem lhes responde, relativamente a um constructo teórico. No fundo, se vários itens pertencem ao mesmo constructo teórico, as respostas de uma mesma pessoa devem variar pouco de item para item. Ou seja, imaginem que eu estou a responder a um teste que mede o grau de depressão e que, de facto, eu estou deprimido, se eu disser que estou triste numa pergunta não deveria dizer que estou alegre noutra (isto do ponto de vista teórico). Para além disso, também será de esperar que indique que não tenho tanto interesse em atividades que antes me davam prazer, que a minha vida já não tem tanto sentido como antes, etc.. Ou seja, todas estas afirmações pertencem ao mesmo constructo teórico (depressão) e por isso as respostas que damos aos vários itens devem estar relacionadas umas com as outras. Isto é, deve haver consistência nas respostas aos vários itens de uma escala.

Estabilidade temporal

No caso da estabilidade temporal (ou também designada fiabilidade teste-reteste), refere-se à variabilidade que os resultados apresentam quando o teste é feito duas vezes, em momentos diferentes (preferencialmente, espaçados). Ou seja, imaginem que estamos a usar um teste psicológico que avalia a personalidade, apesar das pessoas poderem mudar (obviamente), não é expectável que mudem completamente. Assim, esperamos encontrar alguma variabilidade se fizermos um teste de personalidade e voltarmos a repeti-lo passados 6 meses. Ou seja, admitimos algumas mudanças, mas não uma mudança integral. É isto que avaliamos quando falamos em estabilidade temporal, ou seja, os resultados mantêm-se relativamente estáveis, em momentos de avaliação diferentes.

testes psicologicos

Em suma,

para responder à questão de como funcionam os testes psicológicos, devemos ter em mente que estes só funcionam se forem sensíveis, válidos e fiáveis. Só com testes que tenham estas características podemos avaliar certos domínios do ser humano de forma precisa.

Quando estes aspetos do funcionamento dos testes psicológicos estão mantidos, dizemos que o teste apresenta boas qualidades psicométricas. Tens alguma dúvida sobre como funcionam os testes psicológicos? Deixa as tuas dúvidas nos comentários para te poder ajudar.

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Dicas de investigação

Projeto de tese – encontrar o orientador, escolher o tema e escrever o projeto

Comecei por escrever um post mais geral sobre o processo da tese, mas assim que comecei a escrever sobre o projeto de tese percebi que havia tanto para dizer que valia a pena fazer um post apenas sobre isso. Estamos em Maio e é a altura do ano em que alunos de mestrado e candidatos ao doutoramento se começam a debater com as questões de encontrar um tema, um orientador e escrever o projeto de tese.

O passo mais complicado e mais importante é mesmo encontrar o orientador. Nalgumas faculdades esta tarefa é mais facilitada, noutras dependente muito da rede de contactos que os alunos têm e os investigadores a que conseguem chegar. Enquanto estive no ISPA nunca foi um problema porque a relação orientadores-alunos está bastante estruturada, mas quando estive na Faculdade de Medicina percebi o pesadelo que pode ser encontrar um orientador e um tema que nos interesse.

Tudo se torna mais complexo ao nível do doutoramento (especialmente se quiserem fazer o doutoramento a full-time e com financiamento). E acho que acaba por dificultar bastante que pessoas que não tenham boas relações com os professores ou que já se tenham afastado da faculdade há algum tempo voltem para fazer o doutoramento. Pior ainda porque normalmente as pessoas já têm que entregar um projeto (e indicar um orientador) na candidatura ao doutoramento, quando ainda nem sequer começaram as aulas e não conhecem ninguém. Mas pronto, esta é a minha visão sobre a questão e não tenho dados de se realmente isto é uma barreira ou não.

De qualquer das formas, neste post vou partilhar algumas dicas para encontrarem o orientador, o tema e escreverem o projeto.

Projeto de tese

projeto-de-tese-encontrar-o-orientador-escolher-o-tema-e-escrever-o-projeto

Muitas faculdades têm uma cadeira de métodos de investigação no 1º ano do mestrado e em muitas delas os alunos têm que apresentar o projeto de tese. Não tem necessariamente que ser aquilo que vão mesmo fazer, mas claro que poupam trabalho se o fizerem. Para além disso, se tiverem um ano letivo (9 meses) ou ainda menos para fazer a vossa tese, o semestre anterior é mesmo uma boa altura para começarem a pensar no tema e orientador e começarem a estruturar as ideias.

Encontrar um orientador

Dependendo das faculdades os orientadores têm papéis diferentes. Por exemplo, no ISPA, no último ano do mestrado todos os alunos têm que se inscrever num “seminário de dissertação” e ficam automaticamente com aquele orientador. Se a tua faculdade tem algo do género e não conseguiste encontrar um orientador é bem provável que só consigas começar a pensar em concreto o que fazer quando começarem as aulas.

Existem outras faculdades têm que entrar em contacto com os professores e arranjar um orientador, aí é mesmo boa ideia começarem a pensar no assunto o mais cedo possível e prepararem-se para alguns nãos.

É ótimo terem já uma ideia do que querem fazer, mas preparem-se para o vosso orientador tentar ajustar o vosso projeto aos seus interesses de investigação, especialmente se ele/a estiverem bastante envolvidos no processo. Percebam que os orientadores, que normalmente são Professores e/ou Investigadores têm imenso trabalho e as inúmeras horas que vão dispender no vosso projeto também têm que lhes ser útil.

Para quem não tem nenhuma ideia do que quer fazer, conhecer vários orientadores pode ser mesmo uma ótima ajuda durante este processo. Normalmente, a maior parte dos professores disponíveis para orientar teses de mestrado dão aulas nos mestrados. Por isso, se estão com dificuldades em pensar num tema pode ser boa ideia falarem a seguir a uma aula com os professores das disciplinas que vos interessam mais e saber se estão disponíveis para orientar teses e em que temas andam a trabalhar ultimamente.

Alguns aspetos importantes a ter em conta quando estiverem a escolher o vosso orientador:

  • A disponibilidade do vosso orientador – sobretudo é importante que tenham as expectativas alinhadas. Se vocês gostam de trabalhar mais independentemente e o vosso orientador quer um update todos os dias, isso pode ser complicado. Mais comum é vocês precisarem de bastante apoio para fazer a tese (ou pelo menos de algum) e os orientadores não estarem disponíveis. Nunca estive em nenhuma destas situações, mas convém terem a noção que há professores/investigadores que são mais disponíveis que outros (e aqui ajuda perceberem a disponibilidade
  • Se querem fazer investigação ou só a tese – ou seja, se querem uma relação a curto ou a longo prazo.
  • Qual a experiência que outras pessoas tiveram com aquele orientador – honestamente isto pode ser bastante ou nada informativo. Ainda assim, se puderem perguntem a outras pessoas que tiveram aquele orientador como foi a experiência delas, se gostaram de trabalhar com aquela pessoa, em quanto tempo terminaram o mestrado, etc.

Escolher um tema

Dependendo se tiverem muitas ideias ou se preferirem seguir o que vosso orientador vos indicar, isto pode ser feito de diferentes formas. Um ponto importante de qualquer das formas é que terão que trabalhar na vossa tese durante um longo período de tempo: desde alguns meses na tese de mestrado a 4 anos na tese de doutoramento. Por isso, escolham um tema que realmente gostem ou, no caso de estarem a “despachar” a tese de mestrado que não vos dê uma dor de cabeça.

Mas sugiro que gostem minimamente do tema em qualquer um dos casos. Fazer uma tese não é difícil, mas é extremamente trabalhoso e terem um tema que vos interessa é meio caminho andado para estarem motivados. Não se iludam, é provável que quando entregarem a tese já estejam um bocado enjoados com o tema ou até frustrados, mas isso depois passa (ou não).

Se não sabem muito bem o que fazer, aconselho a irem falar com os professores das vossas disciplinas preferidas (que não são necessariamente os vossos professores preferidos). Lembrem-se que vão trabalhar no tema durante muito tempo sozinhos por isso convem mesmo gostarem do tema.

Escrever um projeto de tese

Podem ter que escrever isto no primeiro ano do mestrado, por exemplo, para uma cadeira de métodos de investigação. Em alguns casos têm que entregar o projeto no início do 2º ano do mestrado. Se estiverem a pensar em candidatarem-se a um doutoramento é muito provável que tenham que escrever um projeto na vossa candidatura (especialmente quando se candidatam a financiamento).

Lembrem-se que o projeto é uma “ideia” do que querem fazer e não necessariamente a forma exacta como vão fazer tudo. Se estiverem a escrever o projeto para uma disciplina ou para se candidatarem uma bolsa pode ser necessário adaptarem algumas coisas para terem um melhor resultado. Não estou a dizer para mentirem, mas por exemplo, os projetos da FCT têm um número super limitado de palavras (penso que têm 1000 para descrever o que vão fazer em 4 anos), por isso há muita informação que fica de fora.

Num projeto de tese normalmente vão ter que (a ordem e conteúdos poderá variar ligeiramente cons:

  • Identificar o problema e A Questão de investigação – é suposto o vosso trabalho responder a UMA questão de investigação (que no caso do doutoramento abrange os vários estudos).
  • Fazer uma (muito) pequena revisão da literatura – lembrem-se que o objetivo aqui não é contarem a história de tudo o que já foi feito numa determinada área, mas sim falar de alguns estudos ou estatísticas que contextualizam o vosso trabalho ou que fundamentam aquilo que vão estudar.
  • Dizer quais é que são os objetivos da tese e identificar as hipóteses que têm.
  • Explicar o método do vosso estudo ou estudos – aqui, especialmente num projeto de tese de mestrado, vale a pena perder algum tempo a pensar nos detalhes do vosso estudo: como e quando vão recolher os dados, que materiais vão usar e como vai funcionar tudo. Isto vai-vos poupar imenso tempo quando iniciarem o trabalho propriamente dito.
  • Identificar a maneira como pretendem analisar os dados – é provável que esta questão se torne cada vez mais importante com as questões da ciência aberta e dos pré-registos. Nesta secção devem explicar o mais detalhadamente possível como pretendem analisar os dados e que resultado esperam. Devem também referir como vão codificar as variáveis (caso se aplique).
  • Por fim, devem apresentar na discussão qual o impacto (teórico e prático) do vosso trabalho e algumas limitações do vosso estudo (sobretudo para projetos de tese a serem entregues nas universidades). Podem colocar possíveis obstáculos que esperam encontrar e como ultrapassá-los. Devem também incluir qual é que esperam que seja o contributo do vosso estudo para a área de investigação e para a prática.

Para a escrita em si, já tinha deixado alguns conselhos para a escrita da tese e muitos deles também se aplicam para o projeto.

Lembrem-se que a ideia não é ficarem uma tese para sempre, por isso tentem ser realistas e fazer um projeto que se adeque ao tempo que têm para o fazer. Da minha experiência, tudo em investigação (e na vida) leva muito mais tempo do que inicialmente esperamos. Se estão a fazer uma tese de mestrado, um ou dois estudos serão suficientes (dependendo da área claro), mas não queiram resolver o quebra-cabeças da vossa área com a vossa tese. Não vai correr bem. Se gostam assim tanto de fazer investigação, façam o mestrado e depois avancem para o doutoramento onde podem continuar a investigar por mais 4 anos. E se ainda quiserem continuar a fazer investigação existem pós-docs e posições de investigação e toda uma carreira de investigação pela frente.

 

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Dicas de investigação Educação

Uma introdução à ciência aberta

Recentemente, no meu grupo de investigação começámos a trabalhar o tema da ciência aberta e a decidir que práticas queremos implementar. Apesar de ser um tema que tenho vindo a aprofundar sobretudo nos últimos dois anos, nos últimos tempos tive oportunidade de ficar a conhecer muito mais e de por em prática algumas coisas, por isso torna-se muito mais relevante para mim e para vocês partilhar mais convosco sobre este tema.

Vamos começar pelos básicos, o que é a ciência aberta?

A ciência aberta é um conjunto de práticas que tornam a ciência por um lado mais transparente e por outro lado mais acessível a todos. Tem imensas vertentes e razões por trás, mas duas das mais importantes são:

  • tornar o processo científico mais transparente não só para o público em geral, mas também para os outros cientistas.
  • tornar tudo aquilo que é produzido em investigação acessível para todos. Isto tendo por trás a ideia de que a ciência deve ser acessível quer em termos do conteúdo ser percebido por pessoas de vários públicos (aí entram as práticas de comunicação em ciência), quer no sentido de eliminar os custos de acesso aos artigos científicos e ao conhecimento científico que é produzido (e aí entram políticas como publicar em revistas científicas com acesso aberto).

Neste site podes encontrar o Plano Nacional de Ciência Aberta.

Como surgiu o movimento da ciência aberta?

Apesar de nos focarmos muito na crise da replicação para explicar o surgimento deste movimento, a verdade é que quando olhamos para o movimento como um todo (e não só para os pré-registos, disponibilização dos dados, etc) percebemos que este movimento científico acaba por ter origem em vários aspectos que não estavam bem na ciência em geral.

Como já disse, há um foco muito grande na “crise da replicação”. Isto basicamente aconteceu, quando houve uma série de artigos em que se pôs em causa a qualidade do método científico utilizado (como este, em que psicólogos encontraram evidência para a pré-cognição, i.e., a capacidade de “prever” o que vai acontecer) e que quando se tentou replicar os resultados (como no caso do famosísssimo artigo da Power pose e a dificuldade em replicá-lo) não se conseguiu encontrar o efeito. Este é um tema que daria um artigo em si (e talvez ele venha a acontecer, mas até lá recomendo-vos este da Psychology Today, sobre a crise da replicação em psicologia que acho que é uma boa introdução e este do The Guardian que se foca um pouco mais no estudo da pré-cognição).

Por outro lado, todo o sistema de publicação de artigos académicos estava um pouco viciado. Basicamente, publicar artigos é uma das coisas mais importantes para quem faz investigação. Em muitos países e universidades, os investigadores têm objetivos do número de artigos que têm que publicar e isso é um fator determinante para serem contratados e/ou promovidos. Novamente isto dava pano para mangas, mas por várias razões esta métrica é bastante injusta e força as pessoas (sobretudo as que estão em início de carreira) a arranjarem estratégias para publicarem o mais possível.

ciencia aberta

Fora isso, os autores normalmente têm que pagar para publicar os seus artigos (sim, não só não recebem nenhum tipo de direitos de autor, como ainda têm que pagar para poder divulgar o seu trabalho). Como se isso não fosse suficiente, quem quer aceder aos artigos também tem que pagar. Normalmente as universidades têm acesso a um grande número de artigos, mas era comum não conseguiros aceder a muitos dos artigos que precisávamos. Por isso surgiram estratégias como grupos do facebook em que perguntávamos uns aos outros se tinham acesso a um artigo. (Não tão) recentemente surgiu o scihub, um site “pirata” onde as pessoas conseguem ter acesso a quase todos os artigos científicos, que tem sofrido imensos processos e é frequentemente bloqueado, mas que se vai mantendo.

A verdade é que, sendo que a maior parte dos projectos de investigação são financiadas por entidades estatais, fundos europeus e basicamente dinheiro dos contribuintes de todo o mundo, torna-se muito injusto que o fruto desse trabalho não esteja disponível. Para além disso, cria imensas desigualdades. Estive em Cambridge e era o paraíso dos artigos (para uma nerd pelo menos), em 6 semanas só encontrei um artigo a que não tinham acesso. Já em Portugal, como já disse, é frequente não termos acesso. Agora imaginem no Cazaquistão, de onde é a fundadora do sci-hub, Alexandra Elbakyan.

Quais as principais práticas da ciência aberta?

Para fazer face a tantos problemas, surgiram então uma panóplia de soluções. Cada uma delas vai de encontro a um ou vários problemas na ciência (que não consigo resumir num só artigo, mas prometo escrever mais sobre este tema). Algumas fazem face aos problemas na própria forma de fazer ciência outras à disponibilização do que é publicado. Neste artigo vou apenas falar sobre algumas destas práticas, explicar o que são e dar-vos alguns recursos para saberem mais. Se gostavas que abordasse algum deles mais a fundo, por favor deixa nos comentários.

Para quem faz ciência, torna-se impossível adotar todas e especialmente todas ao mesmo tempo, se começarem por implementar algumas (aquelas que vos façam mais sentido no vosso caso) já é bom. Por exemplo, se estás a escrever a tese podes começar por pensar e discutir com os teus orientadores se queres partilhar os dados ou os materiais que usaste. Se ainda nem começaste, podes pensar em pré-registar a tua tese, e por aí fora.

Para quem consome ciência e sobretudo para quem me segue no instagram e vê o que partilho sobre a divulgação de estudos nos media, percebam que muitos vezes nem chego à questão de como o estudo foi feito, mas haveria muito de que falar. Isto significa que não devemos levar a sérios os resultados dos estudos científicos? Claro que não, mas é importante perceber que a ciência é muito mais complexa do que “artigos dizem” e que nada se pode provar num estudo. Para perceberem um pouco melhor esta questão, aconselho que leiam o que escrevi sobre o método científico.

Pré-registos

Para perceberes a importância dos pré-registos, tens mesmo que percber um pouco mais como funciona o método científico e a estatística. Basicamente, os testes estatísticos que usamos só são válidos se tivermos hipóteses a priori. Caso decidamos começar a testar tudo e mais alguma coisa nos nossos dados (tentar correlacionar tudo, comparar médias entre grupos que nunca pensámos analisar, etc) eventualmente alguma coisa vai dar resultados significativos. Mas a probabilidade de esses resultados significativos significarem que algo é verdade (que acontece mesmo) é muito baixa.

Para tentar resolver este problema e porque muitas vezes avançamos para a análise de dados com uma ideia (demasiado) vaga do que queremos fazer, existem os pré-registos. Um pré-registo, é um registo com um selo temporal, da forma como vamos fazer um estudo e analisar os resultados. Podem fazê-los em sites como a osf.io ou o aspredicted.org.

o que é a ciência aberta

Pessoalmente, estou a tornar-me fã da OSF (este é o meu perfil por lá), porque permite não só fazer pré-registos, mas também partilhar os materiais, os dados e até facilita a organização do trabalho para toda a equipa de investigação. Lá podemos definir se queremos que o projeto seja público ou privado e quando queremos que se torne público (por exemplo, apenas depois do estudo ser publicado). O mesmo se aplica aos pré-registos para os quais podem definir um período de embargo, durante o qual o pré-registo fica privado. Esta plataforma acaba por ser também uma boa forma de encontrar outros investigadores com projetos relacionados com o nosso.

Pre prints

Esta é outra opção para publicar os artigos. Podem submetê-los/encontrá-los em sites como o PsyArXiv, o bioRxiv ou o arxiv. No PsyArXiv sei que os artigos ficam idexados no google scholar (o que significa que podem ser encontrados e citados mais facilmente) e ficam com um DOI associado (o doi é um identificador de objetos, muito importante para os artigos serem considerados “a sério”).

Por um lado, permite que a partilha das descobertas científicas seja mais rápida e por outro lado permite partilhar estudos que ou por não serem muito interessantes ou porque não conseguiram bons resultados de outra forma não seriam partilhados.

É importante dizer que a publicação de um pre-print não substitui a publicação de um artigo. Algumas pessoas têm medo que ao publicar o pre-print seja mais difícil que uma revista aceite depois publicar o vosso artigo (uma vez que ele já está disponível de forma gratuita). Mas existem muitas revistas científicas que aceitam que sejam disponibilizados (uma vez que é uma espécie de primeiro draft e ainda não é a versão final). Podem consultar as políticas de acesso da maior parte das revistas científicas no Sherpa Romeo.

Para quem consultar estas bases de dados tenham em conta que os pre prints não passaram pelo processo de revisão por pares, uma espécie de controlo de qualidade dos artigos científicos, por isso tenham em conta essa limitação.

Dados abertos e Materiais abertos

Consiste em disponibilizar os dados. Isto aumenta a transparência porque por um lado qualquer pessoa pode ter acesso aos dados (o que em teoria evita que as pessoas modifiquem os dados) e por outro lado outros cientistas podem reanalisar os dados e ver se obtêm os mesmos resultados – isto por causa de algumas práticas de manipular dados ou de realizar excessivas análises com os dados, por vezes tornar as próprias análises difíceis de replicar.

Disponibilizar os materiais dos estudos e facilitar a vida a outras pessoas que queiram replicar o estudo ou utilizar aqueles materiais para fazer outras coisas.

Estas duas práticas têm por princípios aumentar a transparência do processo e também facilitar a replicação dos estudos (i.e., outros investigadores realizarem a mesma experiência, nas mesmas condições para verem se obtêm os mesmos resultados). Aqui pode ajudar muito também ter e disponibilizar o script do R/syntax do SPSS ou algo equivalente do JASP ou do STATA, ou seja, uma linha de comandos de programação que mostra como chegaram aos resultados e que torna super fácil para vocês e para os outros chegar à mesma análise.

Para concluir

Este artigo ficou muito longo eu sei e ainda haveria muito mais para falar. Se ficaram com dúvidas sobre ciência aberta ou há algum tema que gostassem que abordasse em mais profundidade deixem nos comentários.

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Dicas para a defesa da tese de mestrado

Dicas para a defesa da tese

Neste post trago-vos 5 dicas para a defesa da tese (muitas delas aplicam-se também a outras apresentações importantes). Se ainda estás na fase da escrita, vê este post. É uma das últimas etapas antes de terminar o curso (mestrado ou doutoramento) e para muitas pessoas é uma razão de grande stress. Isto apesar de ser um trabalho que normalmente escolhemos porque nos interessava. O primeiro ponto importante é perceberem que vocês são provavelmente a pessoa que sabe mais sobre aquele trabalho (muitas vezes até sabem mais que os vossos orientadores, se eles não se tiverem envolvido muito no processo). Por isso vão com calma e com confiança e tudo vai correr bem.

Normalmente a defesa é pública (o que significa que qualquer pessoa pode assistir), embora possam (não oficialmente) pedir às pessoas para não assistarem (sendo que elas podem sempre ficar, porque lá está é um ato público).

À hora marcada, o presidente do júri abre a defesa e diz-vos quanto tempo vão ter para a apresentar o vosso trabalho. Antes de iniciarem a apresentação propriamente dita têm que agradecer a presença do júri (este momento pode ser mais ou menos formal dependendo das faculdades. Depois segue-se um período em que os vários elementos do júri vos fazem perguntas e vocês vão respondendo.

Penso que pode variar um pouco consoante as universidades, mas no meu caso tive 15 minutos para apresentar a minha tese e 45 minutos de perguntas. Lembro-me de pensar que era imenso tempo e que ia estar exausta, mas estava tão focada a discutir o meu trabalho que sinceramente o tempo voou. Uma parte importante foi a preparação para “o grande dia” nas semanas antes. Deixo-vos aqui algumas dicas que usei para me preparar para a apresentação e para a defesa.

Dica #1 – Reúne toda a informação que conseguires

Reúne toda a informação prática que conseguires como a duração da apresentação e da discussão, quanto tempo existe para perguntas, quanto tempo tens para responder, etc.

Também é importante reunires informação sobre as pessoas que vão estar presentes. À partida já conheces o teu orientador, depois existe também o presidente da mesa e o arguente* (que é suposto ser o que faz as perguntas mais chatas). Quando sair o edital da defesa e se não conheceres, tenta saber quem são e que tipo de perguntas costumam fazer. Estas informações vão ajudar-te a preparares-te melhor.

* isto numa defesa de mestrado, numa defesa de doutoramento o júri tem mais elementos.

Dica#2 – Assiste a outras defesas

Esta podia ser a primeira dica porque isto é algo que podes fazer desde que entras na faculdade. Tenta saber onde são anunciadas as defesas e aparece. As defesas são públicas por isso em teoria qualquer pessoa pode entrar. Na prática, há pessoas que estão bastante nervosas e pedem para ninguém entrar, por isso se conheceres as pessoas, é de bom tom perguntar. Se não conheceres e achares que a pessoa está desconfortável, pergunta, mas há muita gente que não se importa.

Dica #3 – Prepara a defesa da tese

Por defesa, neste ponto, quero dizer a parte das perguntas.

Dicas para a defesa da tese de mestrado

As perguntas eram precisamente o meu maior medo na defesa da tese. Aconteceu-me nas apresentações de trabalhos no mestrado os professores fazerem perguntas a que eu não fazia ideia do que responderia. O mesmo em algumas teses que assisti, se fosse eu naquele lugar nem saberia o que responder. Pura e simplesmente há pessoas que têm uma forma de formular as perguntas que não facilitam a resposta. Por isso, primeira coisa que me treinei a dizer foi “não percebi, pode voltar a repetir a pergunta/ pode explicar melhor” – partindo do princípio que o objectivo de quem lá está é discutir o trabalho e não “lixar-nos”. Na realidade não precisei de usar esta frase, mas foi bom tê-la preparada caso fosse necessária.

Quando comecei a preparar a defesa esta fase eu imprimi a minha tese em versão económica (em preto e branco, frente e verso, sem aquelas capas especiais). Depois peguei em marcadores e post-its e tentei lembrar-me de tudo o que poderiam perguntar, as coisas que poderiam gerar discussão (porque existem diferentes métodos de fazer, ou porque não fiz da forma mais convencional) e coisas que puderiam ser interessantes.

Depois fui a todos os documentos onde recebi comentários do meu orientador, professores e colegas e marquei todas as questões que não tinham sido resolvidas. Por fim, tentei preparar-me para aquelas questões. Algumas escrevi num caderno outras tentei só pensar no que responderia se me perguntassem aquilo.

Como é óbvio as perguntas não foram exactamente aquilo que eu lá tinha, algumas foram mais fáceis, outras mais difíceis, mas este exercício ajudou-me a treinar a pensar criticamente sobre o meu trabalho e tentar responder a questões.

Dica #4 – Pratica a apresentação

Pessoalmente, sou mais dada ao Freestyle. Na maior parte das apresentações da faculdade treinava uma ou duas vezes, sabia o que tinha de dizer e depois no momento pura e simplesmente explicava a minha parte (o que algumas vezes levava a que me demorasse mais um pouco, mas sinceramente acho que fica muito melhor).

Mas, a defesa não é o momento em que vão querer improvisar: têm que resumir imensa informação em pouquíssimo tempo, têm um tempo certo e aquela nota tem um peso enorme na vossa média. Portanto sugiro que façam os slides com tempo para tentarem mostrar a outras pessoas e terem feedback. E que treinem várias vezes: sozinhos, com o vosso orientador, com colegas, com os vossos pais, com a vossa avó, o que quiserem. Mas treinem. De tal forma que apesar de seguirem mais ou menos um guião, a apresentação pareça natural.

Sobre os slides: devem ser apelativos, mas que tenham toda a informação necessária. Os slides devem ajudar-vos a vocês, ao júri e a quem está a assistir a compreender melhor o vosso trabalho, não devem ser distratores (ou porque têm um excesso de enfeites, nem porque têm demasiado texto e as pessoas lêem em vez de vos ouvirem). Tenham lá (por pontos) todos os tópicos de que têm de falar para não se esquecerem de nada.

Na apresentação, não caiam na tentação de quererem falar de tudo. Em psicologia, normalmente passamos um ano a trabalhar na nossa tese. Quando chegamos ao fim queremos falar de tudo o que fizemos, tudo o que lemos e tudo o que achamos interessante nos nossos dados. Mas é importante terem a noção do tempo que têm e focarem-se apenas nos pontos mais importantes (de preferência foquem-se nos pontos que vão ser avaliados).

Dica #5 – Aproveita o dia

No dia o mais importante é terem confiança no vosso trabalho e estarem calmos. Cheguem com tempo (pelo menos meia hora antes para entrarem na sala, prepararem os slides, ir à casa de banho, etc). Durmam bem na noite anterior e tragam tudo o que precisarem (garrafinha de água, caneta e caderno para anotar as perguntas, a tese impressa e outras coisas que precisem).

E depois não se esqueçam de aproveitar o dia. Para a maior parte das pessoas a defesa é o dia em que terminam um curso, um dia em que têm várias pessoas de quem gostam com elas. É um marco importante, onde vão ter oportunidade de falar sobre o trabalho ao qual tanto se dedicaram no último ano, por isso aproveitem e divirtam-se.

Para guardar este post no pinterest usa esta imagem:

dicas para a defesa da tese de mestrado

Se tiveres alguma dúvida sobre a defesa da tese à qual não tenha respondido deixa nos comentários.

Já agora se quiserem ler a minha tese podem fazê-lo aqui.

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Dicas para conferências científicas

Dicas para conferências científicas

A época de eventos científicos (ou não) começou e deixo-vos aqui algumas dicas para aproveitar conferências científicas. Fui recentemente à minha primeira grande conferência (a ICPS, International Convention of Psychological Science), embora tenha comparado bastante com o Web Summit, uma espécie de Psychology Summit. No sentido que são dias cheios, neste caso com um horário bem mais alargado: o Web Summit é das 10h às 17h, aqui era das 8h30 às 21h30. E em que estão sempre várias coisas a acontecer em simultâneo non-stop.
Claro que queremos aproveitar o mais possível, mas também é importante tomarmos conta de nós e gerir a nossa energia. Para além de que é, literalemente, impossível irmos a tudo porque há várias coisas a acontecer ao mesmo tempo.

Selecionar a conferência

Eu diria que uma boa ideia é começarem por uma conferência na vossa faculdade ou cidade.  Uma coisa mais pequena com pessoas que conhecem e normalmente com menos custos associados. A ideia é irem e perceberem como é que funciona, se possível começarem a experimentar apresentar o vosso trabalho científico a outras pessoas. Se quiserem seguir uma carreira de investigação as conferências científicas serão uma oportunidade para em poucos dias apresentarem o vosso trabalho e conhecerem o que os outros estão a fazer, criarem uma rede de contactos e atualizarem os vossos conhecimentos.

Com o tempo irão evoluir das conferências locais, para as nacionais, mais tarde as internacionais (Europa e não só). As conferências internacionais já requerem mais investimento: a inscrição na conferência (do que me apercebo nunca fica por menos de 300 euros, podendo ir bem para além deste valor), as viagens e o alojamento. Sobretudo no início da vossa carreira é bem provável que uma grande parte dos custos tenha que ser coberta por vocês por isso convém ir com uma certa calma.

As dicas que vou dar são válidas tanto para a vossa primeira conferência (não, memo nas pequenas não conseguimos ir a tudo e o networking também é difícil). No entanto, para as grandes conferências estas dicas tornam-se imprescindíveis.

Planear o vosso dia

Em termos de olhar para o programa (este tinha 108 páginas – só títulos e nomes dos investigadores) e também tinha uma app (onde era também possível ver o resumo de cada talk). Diria que o mais importante é pesquisarem o que vos interessa e querem mesmo ir e depois darem uma vista de olhos em busca de outros temas que vos interesses.

Uma coisa que resulta para mim é antes de começar o dia escrever num papel o meu plano para o dia, ponho a hora que começa e acaba, a sala e o tema (se ainda estiver indecisa entre duas, ponho as duas – mais que isso não). No meio de toda a confusão, as dezenas de aplicações que temos no telemóvel, as imensas salas e com o tempo limitado para andar de uma conferência para a outra, é muito mais fácil se a informação estiver num papel que temos sempre connosco.

Pausas

É importante também pensarem em pausas (nas conferências costumam haver coffee-breaks). Esta não tinha hora de almoço por isso acabava por faltar a uma sessão que não me importasse muito de perder para almoçar (houve um dia que tentei almoçar entre sessões e comi meia salada de couscous e partilho que foi uma péssima ideia).

É importante terem tempo para comer, beber água, ir à casa de banho, etc. Ao contrário do que algumas pessoas gostam de acreditar, os cientistas/investigadores/pessoas que vão a conferências também são seres humanos e têm necessidades fisiológicas. Por isso, por muito interessante que seja tudo e não queiram perder nada, é importante tirarem tempo para ir à casa de banho (e esperar nas filas), andarem sempre com uma garrafa de água (que podem ir enchendo ao longo do dia) e vão-se alimentando (normalmente não me esqueço de comer, mas nesta conferência queria tanto aproveitar tudo que às vezes distraía-me).

E já agora mantenham-se hidratados, que precisamos de água para nos mantermos atentos e com capacidade de processar tanta informação.

Networking nas conferências científicas

Acho que é uma das coisas mais assustadoras numa conferências, mas há formas de fazer contactos mesmo para quem não gosta de fazer a chamada “conversa de chacha”.

dicas para conferencias cientificas poster

As sessões de posters não são só uma forma estranha de apresentar o nosso trabalho, são também um ambiente muito mais relaxado e com menos pressão para estabelecer contactos. Quando apresentam o vosso poster pessoas que estão interessadas no vosso poster ou pessoas que gostam de ver posters vão ter convosco para conversar mais sobre o vosso trabalho. Mas passear pelas sessões de posters também é uma ótima oportunidade para conhecerem outras pessoas que estão a fazer investigação em áreas semelhantes e para trocarem ideias.

Receptions, cocktails, coffee-breaks

São a parte incontornável que toda a gente adora e acho mesmo que não devemos armarnos nem em pessoas sérias que não comem, nem em pessoas com sono (como eu) que querem ir mais cedo dormir e escrever posts e descansar no quarto. Nas conferências internacionais, é costume haver uma recepção ao fim do dia: uns petiscos que chegam bem para fazer de jantar (especialmente se forem pessoas com falta de dinheiro numa cidade cara).

A verdade é que estes momentos informais com comida e bebida e pessoas bem dispostas são um momento muito mais importante do que a maior parte das pessoas pensam. Estar com colegas de trabalho neste tipo de ambientes mais informais é uma forma bem mais informal de consolidar as vossas atividades de networking e criar relações que se vão mantendo ao longo dos anos.

Por isso, por muito que tenhas sono, ou que não gostes da comida, fica, come um pouco, conversa um pouco, bebe um café ou um copo de vinho e aproveita 😉

Alguma dúvida sobre as dicas para conferências científicas?

Se estás no início da tua carreira científica, talvez possas ter interesse neste artigo que escrevi sobre o CV académico.

Se tiveres algum tema que gostasses que abordasse, deixa a tua sugestão na caixa abaixo:

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Educação Investigacao

O método científco – tudo o que precisas de saber

O método científico – tudo o que precisas de saber

Para começar a explorar um pouco mais por aqui os temas sobre literacia científica hoje vou explicar-vos um pouco mais sobre o método científico.

Antes de começar queria dizer que a ciência não é toda igual. As coisas são muito mais complexas do que “um estudo diz”: é preciso olharmos para a maneira como o estudo foi feito, nos estudos anteriores em que se baseia,  como foi feita a análise dos dados, qual foi a amostra em que foi feito, se existem interesses envolvidos, etc.

E mais importante, a ciência não se faz toda num estudo (isto é algo importante tanto para quem consume ciência, como para quem a faz, que por vezes se entusiasma em excesso com os resultados de um único estudo). Um estudo é apenas uma gota num grande oceano que é ciência. Mas porque temos que perceber as gotas para perceber de que é feito o oceano, hoje vou explicar-vos um pouco mais sobre o método científico.

Antes de começar a mergulhar em tipos mais específicos de estudos e que tipo de conclusões  podemos tirar dos mesmos (que fica para outro post). Vamos voltar para a aula de História. Sim, leram bem: História, a ciência também tem a sua História. E podemos aprender muito com ela. No 8º ano, uma professora de História fez-me escrever no quadro todos os passos do método indutivo de Francis Bacon que viria a dar origem ao método científico (e até hoje não me esqueci). E é precisamente deste método que vos venho falar hoje.

metodo cientifico o que e

Vamos começar pelo básico: o objetivo de uma experiência é testar uma hipótese. Se fazemos uma experiência, qualquer que ela seja (de psicologia, química, ou engenharia) e não temos uma hipótese a priori, torna-se muito limitado o que podemos extrair da mesma..

Então como fazemos para formular hipóteses: lemos, ou nos tempos de Bacon, observaríamos o mundo à nossa volta, teríamos uma hipótese sobre como o mundo funciona, e  depois iríamos testá-la. Depois de fazer a nossa experiência poderíamos confirmar a nossa hipótese ou rejeitar a nossa hipótese (não estou necessariamente a falar de estatística aqui).

Por exemplo, tínhamos uma hipótese de que a água e o azeite não se misturam. O próximo passo seria desenhar uma experiência para testar se a água e o óleo se misturam ou não. Pegávamos na água e no azeite e misturávamos. Se experimentarmos fazer isto, sabemos que eles não se misturam, então a nossa hipótese seria confirmada.

metodo cientifico

Será que isto quer dizer que a água e o azeite não se misturam em nenhumas condições? Não. Agora teríamos que fazer a experiência várias vezes com pequenas variações, (diferentes temperaturas, diferentes tipos de água, diferentes tipos de azeite) e ver se a nossa hipótese se confirmava nas várias condições. É importante que testássemos apenas uma pequena variação de cada vez, por exemplo, fazer a experiência com a água a várias temperaturas com exactamente o mesmo tipo de água, o mesmo tipo de azeite, no mesmo recipiente, etc. Isto porque se tivermos, por exemplo, dois tipos de azeite diferentes a temperaturas diferentes, não sabemos se o efeito é por causa do tipo de azeite, das temperaturas ou de ambos.

Vamos a outro exemplo, vou-vos pedir que vejam o vídeo abaixo e contem o número de vezes que a bola é passada entre os jogadores.

Não vos disse a hipótese de propósito. Isto é comum em alguns estudos em psicologia, medicina e não só. Não dizemos aos participantes as nossas hipóteses no início do estudo, porque isso poderia fazer com que as pessoas respondessem de forma a confirmar ou contrariar as nossas hipóteses. Neste caso a hipótese é que as pessoas que têm que contar o número de vezes que a bola é passada, não vêm o urso a passar (podem ir confirmar).

Agora, vocês iam mostrar isto a vários elementos da vossa família e, como esperado, eles não viam o urso. Isso é suficiente para afirmar que descobrimos a cegueira desatencional – o fenómeno que ocorre quando estamos focados numa tarefa, e não nos apercebemos de mais nada. Não. Seria necessário fazer um estudo com mais pessoas, de preferência que não conhecessemos, num ambiente mais controlado (como um laboratório), onde dessemos exatamente as mesmas instruções a todos. Ainda assim isso não seria suficiente. O nosso estudo iria ser refeito (ou replicado) por outros cientistas, que confirmariam ou não os nossos resultados, e tentariam entender o porquê. E só depois de muitas pessoas terem feito o mesmo estudo, poderíamos combinar os resultados dos vários estudos  matematicamente (naquilo a que se chama uma meta-análise) e só depois disso tudo iríamos estar um pouco mais próximos de perceber se realmente o efeito existe ou não (este é um estudo em psicologia, se quiserem compreender melhor o que estuda a psicologia leiam este artigo).

Este processo todo pode levar anos. A ciência não se constrói com um estudo, nem num dia. São anos de trabalho, muitas vezes nas direções erradas para tentar compreender um pouco melhor como o mundo funciona. O processo científica não é só fazer os estudos, é também comunicá-los à comunidade científica, ler e conhecer o trabalho que os outros fazem, organizar e sistematizar as descobertas que são feitas, entre outras coisas. Por isso a próxima vez que virem uma notícia no jornal sobre “estudo científico diz” ou “cientistas descobrem” pensem duas vezes.

Se tiverem alguma dúvida sobre o método científico, ou alguma coisa que queiram acrescentar deixem nos comentários.

Por fim se tiverem algum tema que gostassem que abordasse, deixem nos comentários.

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Dicas de investigação

3 dicas para poupar em livros técnicos

Os livros técnicos são caros (especialmente os das ciências da vida) e normalmente são precisos 1 ou 2 livros por disciplina (quando não são mais) o que pode ser complicado de gerir financeiramente. Ao longo dos anos na faculdade fui aprendendo várias técnicas para conseguir ter acesso aos livros sem ficar na banca rota. Neste post vou partilhar 3 dicas para poupar em livros técnicos (e em geral).

3 Dicas para poupar em livros técnicos

*este post contém links de afiliados

1. Consultar os livros da biblioteca

Sim, aqueles que ficam lá a apanhar pó enquanto toda a gente reclama sobre o dinheiro que tem que gastar. Se é verdade que são livros nos quais não podemos escrever e sublinhar, em última análise são a opção mais económica. Não têm custo (é preciso apenas o cartão da faculdade) e alguns até podem levar para casa para ler. O grande senão é que não podemos guardá-los connosco para sempre. Alguns manuais queremos guardar, porque são livros mais de consulta do que de leitura (mas novamente se ainda formos alunos podemos ir à biblioteca e consultá-los). A verdade é que há livros de consulta que comprei que acabava por consultar sempre na biblioteca quando precisava para fazer trabalhos porque estava na faculdade e não ia andar carregada com livros.

2. Fotocopiar só as partes que vos interessam

Todos sabemos que fazer fotocópias integrais de um livro é ilegal, mas de um capítulo de cada vez não (dependendo do tamanho). Fiz isso em enfermagem com um livro de fisiologia e fui fotocopiando o que era necessário conforme íamos dando a matéria. Esta dica tem uma vantagem extra: como só têm um bocadinho do livro de cada vez, é muito mais fácil irmos lendo e não deixar o livro a um canto até ao final do semestre. Para além disso, muitas vezes não nos interessa o livro completo.

3. Comprar os livros mais baratos.

Para quem quer mesmo ter os livros, deixo-vos duas dicas para pouparem em livros técnicos:

3.1) para livros cuja versão original é em inglês, ir a um site internacional como a amazon e o bookdepository  e ver se compensa o preço da versão original mais os portes (atenção que na amazon para Portugal vão ter sempre que pagar portes, por isso contem com isso para não serem surpreendidos no momento do pagamento). O book depository normalmente é ligeiramente mais caro nos livros técnicos, mas acaba por compensar porque não se pagam portes de envio. Contem que os livros demoram a chegar (entre duas semanas e um mês), por isso não encomendem à última da hora.

3.2) Encomendar livros usados e de edições anteriores. Especialmente em áreas onde o conhecimento não evolui muito rapidamente é uma boa forma de poupar em livros técnicos (e mesmo nas que evoluem porque os livros normalmente não espelham a mesma velocidade). Vale a pena mandar vir edições antigas, mesmo nas que evoluem rapidamente um livro usado de uma edição com entre 5 e 10 anos é significativamente mais barata e está bastante atualizado na amazon ou no abebooks têm imensos livros usados, costuma sempre dizer o estado do livro (aceitável, bom, muito bom,novo- normalmente os livros de bom para cima só têm algumas coisas de sublinhado e assim). Devem ter em conta os valores do porte de envio (nisto prefiro o abebooks porque conseguimos ver o valor para cada livro na listagem. Na amazon, temos que por no carrinho e só no fim é que descobrimos que afinal o livro que custa 1 dolar custa 40 de portes de envio. Na abebooks na lista dos livros se carregarem em “shipment”, selecionam portugal e vêm logo se vale a pena. Esta opção pode ser complementada com a opção 2 ou 3, para consultar as versões mais recentes dos livros e ver se está tudo conforme. Para títulos portugueses (e mesmo estrangeiros) vale sempre a pena ir ao OLX. Normalmente, é bastante mais rápido embora a oferta aí varie muito.

 

Depois de ler, muitas vezes chega a parte de escrever, já leste o meu artigo sobre a escrita de teses?

Deixei aqui 3 dicas que usei ao longo do curso e que continuo a usar quando preciso para poupar em livros técnicos. Têm mais alguma dica?

 

Tens algum tema/assunto que gostavas de ver abordado. Deixa a tua sugestão aqui!

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Carreira

Como fazer um CV académico (e as diferenças para outros CVs)

Querem seguir uma carreira no mundo da investigação? Acham que devem enviar o mesmo currículo que enviam para qualquer trabalho? Se sim, têm mesmo de ler este post. Hoje venho falar-vos de algo que há um tempo eu também desconhecia: os currículos académicos. Se não sabem qual a diferença entre um CV académico e um CV profissional, continuem a ler.

cv academico

Diferença entre um CV académico e um CV profissional

Então vamos começar pelo mais simples, qual a diferença entre um cv académico e um cv profissionall?

Um CV profissional foca-se sobretudo na formação, experiência profissional e nas competências da pessoa (mas sobretudo experiência e formação).

Já um CV académico não deixa de ser um CV (e também tem a parte da formação e da experiência, focando-se mais na experiência de investigação), mas tem algumas componentes que só têm interesse (e na realidade só fazem sentido) para quem está na academia, como publicações, apresentações, organização de eventos científicos, etc.

Que partes constituem o CV académico?

Por ordem das que normalmente são consideradas mais importantes, pelo menos em Portugal:

  • Formação – dependendo do tipo de candidatura pode fazer sentido incluirem a vossa média. Como a maior parte dos concursos públicos (e nos da FCT) a média é um factor de avaliação é aconselhável inclui-la.
  • publicações (teses, artigos) – devem aparecer em formato de citação e no caso dos artigos devem idealmente incluir o DOI (o identificador digital da vossa publicação). Para além disso, para os artigos devem indicar (caso não esteja ainda publicado), se o artigo foi apenas submetido, se está em revisão, se foi aceite, ou se está no prelo.
  • experiência de investigação – idealmente indicam nesta secção as vossas experiências em que tiveram contratos de bolsa ou contratos de trabalho. Tal como nos CVs normais, se não têm experiência em funções pagas, ponham o que tiverem. É melhor ter um estágio não renumerado (especialmente se for numa área de investigação semelhante à que se estão a candidatar) do que não ter nada. Para além de indicarem o nome da função indiquem de forma clara as tarefas que realizaram, as técnicas e metodologias que aprenderam e/ou utilizaram.

cv academico experiencia de investigacao

  • apresentações (posters, comunicações orais, apresentações por convite) – estas também devem estar em formato de citação e devem incluir o nome da conferência/simpósio/congresso. Como normalmente existem vários autores, coloquem o vosso nome a negrito, para facilitar a leitura (especialmente se não forem o primeiro autor).
  • organização de eventos científicos – se já fizeram parte da comissão de organização de algum evento científico também o podem indicar aqui.
  • competências de investigação – preferencialmente indiquem aquelas em que têm formação e/ou experiência – ex: softwares estatísticos que sabem usar, metodologias estatísticas e de investigação em que têm experiência e/ou formaçao, procedimentos que sabem realizar, ou softwares para montar experiências.

Mais alguma diferença entre um cv académico e um cv normal?

Sempre fiz o meu cv “normal” de uma forma mais visual, é mais apelativo e isso acaba por chamar mais a atenção quando somos um no meio de muitos. Para a maior parte das posições de investigação (pelo menos em Portugal), entra-se por concurso público ou algo equiparado, o que significa que todos os currículos terão que ser analisados e por isso é mesmo importnte que toda a informação relevante esteja lá de forma clara e inequívoca. Como resultado disto, o meu CV académico tem-se vindo a tornar mais textual, embora mantenha um design agradável (pelo menos na minha opinião).

cv academico publicacoes

Outro aspecto importante, quer para um CV académico quer para um CV “normal” é adequar o CV à posição a que estamos a concorrer. Claro que se todas as posições a que estamos a concorrer são muito parecidas isso não é uma necessidade. Porém, se estão a candidatar por exemplo para um projecto específico (como acontece nas bolsas de assistente de investigação) é importante que adaptem o vosso CV de forma a destacar a experiência/formação que têm relacionada com o projeto e a garantirem que no vosso CV está tudo o que é pedido no anúncio (quer os requisitos obrigatórios, quer os preferenciais, se vocês os tiverem claro).

Em geral, para candidaturas espontâneas faz sentido um CV mais geral e mais visual, porque o nosso objetivo é que o nosso CV se destaque. Quando nos candidatamos a um anúncio, queremos demonstrar que somos a pessoa que estão à procura. Nesse caso, não é necessário fazer um CV completamente diferente, mas adaptá-lo é uma boa ideia.

E vocês já têm o vosso CV académico? Conheciam a diferença entre um CV académico e um CV profissional. Não se esqueçam que, mesmo na academia, continua a ser importante estarem em redes sociais profissionais como o LinkedIn (mais geral) ou o Research Gate (mais específico para investigadores). Em Portugal, temos agora o Ciência Vitae, que vem substituir o deGóis (que deixou de estar ativo) e o FCT-sig.

Deixo aqui o meu CV se quiserem ver.

Se tiverem alguma dúvida, deixem nos comentários. Se quiserem podem enviar os vossos CVs para mafalda@mindresearcherdiary.com e tento dar-vos algum feedback.

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